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Por Vogue Brasil: O fenômeno Supreme.

por Deco Tajra | 07•05•2018

Gente, acabei de ler uma matéria muito interessante sobre a marca Supreme no site da Vogue Brasil. Podia resumir aqui pra vocês, mas achei tão bem escrito e cheios de detalhes que vocês tem que saber, que resolvi trazer da forma exata como eles escreveram. Todos os direitos reservados a Vogue Brasil.

No último mês, a Supreme anunciou duas colaborações de grande porte: uma de malas de luxo com a Rimowa, outra decamisas polo com a Lacoste. Ambas, seguindo o histórico da marca, se esgotaram imediatamente. Nada, porém, que se compare com a lendária histeria em torno de sua dobradinha com a Louis Vuitton, divulgada na passarela de inverno 2017 da linha masculina da maison francesa. Para vender as peças da colaboração, toda em vermelho e branco, a Vuitton apostou em pop-up stores em cidades estratégicas - algumas geraram tanto tumulto que tiveram de ser controladas pela polícia. A ideia era que, após as pop-ups, a coleção fosse vendida nas lojas da Louis Vuitton, mas isso jamais aconteceu.

Pesquisar a história da Supreme é como entrar num buraco negro de lendas, histórias e fanatismo. Camisetas vendidas na abertura da loja da Supreme em Paris eram exibidas com a mesmo cuidado e preciosidade que uma bolsa da Chanel ou Hermès em couro exótico em uma das lojas das grifes, subvertendo todo o conceito do que é luxo.Mas de onde surgiu tamanha devoção? A Supreme é mesmo todo esse falatório que ela gera? De onde veio o fenômeno Supreme e mais ainda, até onde ele vai?



Batizada em homenagem à A Love Supreme, música de John Coltrane, a Supreme foi lançada em 1994 em Nova York por James Jebbia, um empresário que enxergou um nicho bem específico no mercado de skatewear, que parecia até então ter como público alvo apenas uma turma de garotos de  13 anos. Ele criou uma marca com um visual mais cool e amadurecido, sem deixar de lado a essência daquele gênero. Ao falar sobre Supreme, uma das palavras que mais se ouve é exclusividade, ou ainda escassez. Muitos atribuem o sucesso da Supreme a seu modelo de vendas que funciona de forma pingada (os famosos drops), que acontecem toda quinta-feira, com poucas peças de cada modelo, quase todos feitos em edição limitada e jamais reeditados.

As tão faladas parcerias da Supreme acontecem desde seus primórdios: Nike, APC, Levi's, North Face... A lista de colaborações da marca é grande, e não conta apenas com outros nomes da moda. O que contribui para essa aura ainda mais cool são suas dobradinhas com nomes da arte, como Richard Prince e Jeff Koons, que já assinaram alguns decks de skates para a marca (que recentemente anunciou mais uma parceria artsy, agora com imagens de Nan Goldin).

Mas até aí a Supreme era uma marca de nicho, do underground, das ruas - só quem realmente estava por dentro da cena conhecia e entendia o valor, a exclusividade. Quando alguém usava Supreme, não era para impressionar a todos: era para impressionar uma turma muito específica e seleta. Porém, com o estouro do hip hop e artistas como Kanye West usando peças da marca, a Supreme atingiu um novo patamar e ganhou ainda mais força por, novamente, ser atrelada às figuras mais cool do momento. De repente o hip hop era o gênero musical que mais falava com os jovens, que mais fazia sucesso e mais desfrutava de relevância, portanto o endosso daquelas celebridades, ainda mais de forma espontânea, valia ouro.



É possível argumentar, porém, que o que aconteceu com a Supreme posteriormente a afasta justamente desse posto de ícone da contracultura: com dobradinhas como a da Louis Vuitton, a marca acabou sendo digerida por um público muito mais massivo, que não necessariamente tem tanta paixão pelos valores por trás daquele modelo de negócios ou daquela cultura, que tanto agregam valor a uma simples camiseta branca. Fala-se muito nas quilométricas filas nas portas das 11 lojas da Supreme ao redor do mundo a cada drop, mas muito se discute também sobre o perfil daquelas pessoas que se enfileiram por horas - ou até um ou dois dias - por um moletom. Há muitos turistas, mas mais ainda muitos revendedores, que podem fazer verdadeiras fortunas se investirem tempo e dinheiro na prática de postarem no Ebay seus achados da Supreme, traduzindo o valor da marca justamente em seu potencial de lucro no mercado paralelo (para se ter uma ideia, uma jaqueta bomber da coleção da marca com a Louis Vuitton pode ser encontrada no Ebay por US$ 28 mil, quando seu preço original na loja era de US$ 1.100).

Mas enquanto grifes como a Chanel lutam com unhas e dentes para acabar justamente com esse mercado paralelo de suas peças (usando como estratégia por exemplo a harmonização do preço de suas bolsas ao redor do mundo), a Supreme parece prosperar mais ainda por causa desta prática "de cambista", que faz com que haja um questionamento em torno de quem é que consegue comprar a marca hoje em dia.

O grande paradoxo que cerca o hype em torno da Supreme é a maior discussão na cena street. Tanto debate sobre quem pode/deve ou não usar Supreme pode acabar esbarrando, ao mesmo tempo, naquelas eternas discussões em torno de quem pode usar a camiseta da sua banda favorita: quantas músicas tem que conhecer fora Smells Like Teen Spirit e Come as You Are para usar uma camiseta do Nirvana? E não seria partir do pressuposto que a Supreme não atende mais seu público alvo só porque ficou extremamente popular (e caríssima no mercado paralelo!) uma espécie de preconceito, condescendência ou julgamento?

No mercado, a pergunta segue a mesma: será que a Supreme segura esse hype por muito mais tempo? É possível que não. Assim como já aconteceu no passado, a febre vai passar, a novidade vai perder seu frescor e algo novo vai surgir. Quando passar a histeria do grande público em torno da Supreme, pode ser que seu apelo se torne menos comovente e quem sabe, a marca não volte para os armários de quem a comprava com tanta fidelidade em seus primórdios? Talvez por isso mesmo a Supreme esteja aproveitando ao máximo tanto palco - e o luxo, por sua vez, aproveitando para se reposicionar junto a uma nova geração, injetando um ar mais fresh em suas logomarcas tão tradicionais. A cena street vai se reinventar, como já se reinventou tantas vezes. Resta esperar e ver se a Supreme vai fazer o mesmo, mas uma coisa é certa: a marca não vai a lugar nenhum tão cedo.



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