Ícones de Moda

TMS ENTREVISTA GUILHERME LICURGO

por TheMenStyle | 15•05•2020

Fala galera, tudo bem?

Hoje o site traz um profissional super talentoso e que amamos o trabalho. A idéia é conhecer um pouquinho da sua trajetória e bater uma papo sobre o cenário atual que vivemos. Vamos lá?


Oi Guilherme,


De onde você é e quantas cidades já chamou de lar? 


Sou do Rio de Janeiro. Cresci em Campos, no interior.

Saí de casa muito cedo e vivi na capital por muitos anos, até que me mudei pra São Paulo, onde moro há 14 anos. Sempre passo temporadas longas em diferentes lugares do mundo, normalmente trabalhando




Como a fotografia surgiu na sua vida?


Sempre gostei de fotografia e sempre fui muito curioso. Trabalhei como modelo quando era moleque e sempre tive muito mais interesse em tudo o que acontecia por trás de uma foto, a montagem do set, os equipamentos e a dinâmica da equipe.

Me apaixonei pela fotografia, na perspectiva profissional quando conheci o Terry Richardson, em 2018. 

Tinha me formado em Direito no Rio e recém mudado pra São Paulo -  basicamente porquê tinha descoberto ao fim do curso, que não queria trabalhar com Direito. Era um momento de crise, acho que foi a única crise pessoal pela qual passei na vida.

Me apaixonei pela forma com que o Terry trabalhava. Era tudo muito simples e divertido!

Já havia posado antes para outros grandes fotógrafos de moda e eu achava que a maior parte deles vivia num mundo muito carregado de soberba. 

Trabalhava na época como produtor de teatro e depois de eventos. No ano seguinte, em 2009, larguei tudo e fui estudar e trabalhar com fotografia.




Sabemos que existe diversos caminhos dentro da fotografia. Como encontrou o seu? 


Como fotógrafo, comecei fazendo cobertura social, cobrindo Fashion Week e tal. Precisava pagar minhas contas e ao mesmo tempo que fazia isso, disparava pra  outros lados!

Muito experimento autoral. Fotografava tudo o que via. Depois fui entrando nas agências de modelos, fotografando books.

Passei a fazer editoriais para revistas, materiais de divulgação e campanhas pra alguns artistas. Um desses editoriais foi parar em uma revista gringa e de repente, num dia qualquer, dois anos depois de me tornar fotógrafo, recebi uma ligação de uma grande agência Americana, que me contratou pra fotografar um coffee table book pra uma marca muito grande na Italia. 

Se tratava de uma marca de moda. Eu dividia set com o Steven Klein, e o Johan Renck, cada um fazendo o seu trabalho, ao mesmo tempo. Era muito estranho pra mim estar ali, mas abracei a oportunidade e fingi ter a mesma segurança que eles. 

Fui contratado pra extrair fotos mais "artísticas", enquanto o Steven fotografava a campanha publicitária de uma nova fragrância que eles lançariam e o Johan filmava o comercial de Tv.

No ano seguinte, 2012 participei de um concurso de Arte Contemporânea, oferecido pelo Itamaraty. O premio era excelente e tive o privilégio de ganhar e uma de minhas fotos entrou para o acervo de Arte Contemporânea fo Governo do Brasil. Eram outros tempos. Fomos recebidos no Palácio por autoridades Ministeriais, e pude ver minha foto exposta naquele Hall, tão emblemático, ao lado da famosa escada de Niemeyer.  








Conhecemos alguns dos seus projetos. Queria que você nos contasse como funciona o processo criativo de uma série como a  “Desert Flower”? 


Normalmente tudo acontece de forma muito orgânica.

O desert surgiu assim, o "Manifesto", que foi uma exposição individual que fiz, que falava sobre política, em 2018, no período pré eleição e que fala exatamente sobre o que estamos vivendo hoje.

Passei o ano passado inteiro fotografando um novo projeto, que trata de sustentabilidade, do despertar da consciência humana para questões como aquecimento global, consumismo e outros assuntos tão pertinentes nos dias atuais.

Normalmente meus trabalhos falam sobre o momento atual ou futuro. Geralmente existe uma narrativa forte e sobre a qual me debruço.

Voltando ao Desert, descobri toda relevância da técnica de Martha Graham e sua importância histórica. Martha foi uma mulher revolucionária e transgressora.

Me mudei para passar um mês em Nova Iorque, precisava fazer uma imersão no mundo de Graham.

Nesse mês, além de interagir com os bailarinos, escolhia os figurinos, criados por grandes gênios da moda, como Halston, Oscar de la Renta, Calvin Klein, que desenhavam exclusivamente para ela, considerando a amizade que tinham na época e sua importância. 

O vestido tubo, por exemplo, foi criado por Halston, inspirado em Martha Graham.

Nos três meses seguintes, viajei em tour com a Cia pelo mundo. 

Éramos apenas eu, minha câmera, bailarinos já cansados em função do intenso tour que fazíamos e toda adversidade que você puder imaginar no que diz respeito à produção. Não havia produção e eu não uso assistentes, normalmente.

Eu selecionava quem fotografaria na noite anterior e no dia seguinte saia em busca de uma locação, em uma cidade qualquer do mundo. Criava a foto na hora, num intervalo muito curto de tempo, sem nenhum tipo de planejamento prévio.






Acreditamos que já deve conhecer muitos lugares nesse mundão por causa da fotografia. Conta pra gente um que tem um significado especial pra você? 


Essa é uma pergunta bem delicada pra mim, porquê de fato conheço muitos lugares. 

Apenas no ano passado, fotografando pra o meu novo projeto "Back to the Roots", estive em 14 países.

Tenho muito carinho pela Nicarágua, Cuba, Milão, Bali, e sou apaixonado por Nova Iorque! 




Qual o trabalho mais marcante na sua carreira? 


Não conseguiria eleger um. Todos tiveram e tem grande significado e importância pra mim.

Talvez o Desert seja o mais popular, já que há cinco anos ele viaja pelo mundo e ainda é comercializado.




Como o Guilherme enxerga a moda e toda sua conexão com a arte...


A moda é uma forma de expressão muito marcante. Bem como a arte, ela questiona o tempo em que se apresenta, reflete e dita comportamento, questiona.


Qual o ponto de partida quando quer escolher o que vestir? 


Sou sempre muito básico. Talvez um básico/descolado, porque gosto de me vestir bem, de ter peças bacanas, que mesclo com coisas mais simples.

Normalmente penso em conforto, não importa a ocasião.




Marcas que admira e respeita a trajetória. 


Diane von Füstenberg. No caso dela, por todo comprometimento social que ela, Diane tem.



Como você acredita que iremos sair desse momento em que vivemos? Fortalecidos? Quais são as mudanças necessárias para aprender com essa crise? 


A gente vive hoje uma crise profunda. Infelizmente ainda não sabemos quando irá acabar ou quanto tempo vai durar. Tampouco dá pra prever uma grande mudança comportamental. Esse momento é muito paradoxal, mas eu acredito sem dúvida que o pensamento coletivo talvez aflore mais nas pessoas.

Precisamos de uma vez por todas entender a importância da ciência, ser mais generosos com os mais vulneráveis. A gente só sai disso juntos! 




Conta um pouquinho da sua rotina durante a quarentena. O que faz pra ocupar seu tempo e manter a saúde mental? 


Eu me coloquei em quarentena muito cedo, um dia antes do anuncio oficial de que enfrentávamos uma Pandemia. 

Eu sempre cuidei do meu espírito, corpo e da minha mente. Pratico meditação já há três anos e me dou muito bem comigo mesmo. Costumo brincar e me descrever como um animal selvagem, no sentido de que prezo muito pela minha liberdade, estou cada hora em um lugar, mas não me considero sou um animal social. Depois, no que diz respeito às questões humanitárias, também me dedico através dos anos a ajudar comunidades e grupos. Com isso, não tive nenhuma alteração de humor, mesmo com as baixas que tive. Perdi cinco pessoas do meu convívio e ao invés de apenas sofrer, optei por me expor, visitando favelas, criando e participando de projetos sociais (sempre tomando muito cuidado, é claro). Esse vírus é muito sério e traiçoeiro. Respeitando absolutamente o processo da quarentena, não pude ficar apenas olhando, sentado no meu sofá. 

Nesse momento estou diminuindo as visitas presenciais a estes lugares, porquê não quero de fato contrair esse vírus. 




O que costuma fazer para se exercitar e se conectar com seu corpo? 


Costumava treinar na academia, de 5 a 6 vezes por semana. No começo da quarentena aderi as aulas de um professor, via "live"mas tenho tido tanto trabalho e tanta coisa pra gerir que já há umas duas semanas relaxei, e me permiti. Devo retomar na semana que vem.



Obrigado Guilherme.
The MenStyle

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