08/08/2018

Languish Journal por PEDRO PEDREIRA


Oi galera, tudo bem?

Hoje trazemos um projeto lindo que apoiamos e super acreditamos.

E para acompanhar as imagens batemos um papo com o Pedro, o idealizador do projeto. Vamos conhecer um pouquinho da história desse Jornal?



 

Que tal começarmos pelo nome, por que Languish Journal?

 

Antes de qualquer coisa, obrigado pelo espaço pra falar de um projeto tão pessoal. Bom, eu escutei essa primeira palavrinha de um amigo, que tentou descrever um pouco o que ele via nas minhas imagens. Passei a prestar mais atenção nessa qualidade e de fato é uma característica muito forte do meu trabalho. Languido é um adjetivo que descreve um cansaço, uma fadiga, uma falta de fôlego mesmo. Ainda existem conotações mais poéticas que falam de sensualidade, de uma melancolia amorosa, estado de ser platônico. Eu penso que no processo de retratar alguém, é um pouco de quando a pessoa baixa a guarda, já não consegue mais posar e aquela projeção fica mais verdadeira. E também fala um pouco de mim, sou bem esparramado nas minhas nuances [risos].

 

Em inglês, 'Languish' é verbo (‘Languid’ é o adjetivo), mas não traduz igual, apesar de ter as mesmas características. Já o ‘Journal' é uma brincadeira, pois no primeiro momento, é fácil associar a palavra com o formato jornalesco do Zine, mas na verdade, ele traduz pra ‘diário’ e as fotos nada mais são do que documentos de um dia, um diário visual mesmo daquele dia.

 

Como você fez a escolha do modelo Gilberto Fritsch?

 

O Gilberto, além de ser um amigo, desde o nosso primeiro encontro sempre mostrou muita abertura em relação ao meu trabalho, a minha visão. Quando comecei a entender a idéia do impresso, achei que ele seria um bom candidato para o primeiro volume. Conversamos e ele topou; fui muito claro em relação a nudez, ao cenário e ao tom que queria dar as imagens. Passamos um dia inteiro em Fire Island, metade desse dia, o Gilberto pelado [risos] e a todo tempo disposto e entregue. Ele sempre foi acostumado a fazer trabalhos de corpo, mas lembro da estranheza inicial de entender o atributo documental que eu estava buscando. Eu queria registrar a liberdade dele naquela paisagem, a pessoa que eu conhecia fora do set e espero que tenha conseguido transparecer esse sentimento nas fotos. A escolha das imagens abre justamente essa janela, pra quem quiser, reviver esse dia com a gente.

 

E a proporção do Zine é grande, porque você optou por esse formato?

 

Um Zine é mais flexível do que uma revista nesse sentido. Escolhi grande, pois detesto como hoje, as imagens vivem pequenas nas telas dos celulares. Queria que as pessoas percebessem a textura, do papel e das fotos (tudo fotografado em filme 35mm), e pudessem manusear elas, ver os detalhes, prestar atenção mesmo. Idealizada essa proporção de jornal, entendi que não precisava ser paginado, nem grampeado; é solto, lânguido mesmo, pro espectador manusear sem aquilo ser um objeto muito precioso. E por fim, foram poucas imagens, mas cada uma escolhida a dedo. Me perguntaram se as folhas eram frente e verso, e sim, justamente pra ser ainda mais limitado, quem optar por pendurar alguma das imagens, fica meio refém de ter que escolher apenas um lado.

 

Quais são os planos para o futuro desse título?

 

Quero que seja semestral, cada 6-8 meses devo lançar um Journal novo. Já estou começando a pensar e discutir a próxima edição e isso me anima. Pouca coisa deve mudar, provavelmente vou dedicar mais tempo para o processo, quero um intervalo maior para criar essas imagens com a pessoa, algo como uma viagem de curto prazo. E sempre prezando essa abertura com os escolhidos, para que se abre novamente essa janela, menos plástico, mais improvisada, documental, despretensioso e constrangido, liberdade natural de ser.

 

4 anos que eu fotografo e finalmente senti a vontade de criar uma marca mais autoral. Não só isso, mas também tangibilizar o meu trabalho, temos que estimular esse mercado, ainda existe muita gente que valoriza o impresso. No processo, tentei envolver algumas pessoas, mas no fim acabei assinando todas as etapas do desenvolvimento e acho que por isso que ficou tão pessoal. Não podia estar mais feliz com o resultado.



E ae, o  que vocês acharam?

 

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Todas as imagens de uso exclusivo do The MenStyle, cortesia do fotógrafo Pedro Pedreira.